sexta-feira, 24 de setembro de 2010

essa nossa mania de felicidade.




Tem coisa que começa a ser espalhada e pega. A gente não sabe bem quem começou, mas, quando nos damos conta, já estamos comprando a idéia. E algumas idéias fazem um estrago danado! Bom, sem mais enrolação: o que quero falar aqui é dessa necessidade de ser feliz. Muito feliz. O tempo todo. Afinal, a vida é uma festa, podemos tudo o que queremos e precisamos aproveitar cada momento ao máximo, certo? Bom, não sei se é certo. O que sei é que é uma pressão danada, isso sim. Quem disse que precisamos ser felizes o tempo todo? 
Veja bem, não quero dizer que legal mesmo seria se a gente vivesse cabisbaixo. É muito mais gostoso se sentir bem do que se sentir mal. O problema é que, como você já deve ter percebido, não dá pra ser feliz sempre. Na verdade, até meu priminho de 2 anos já deve ter notado isso - não é à toa que ele vive chorando. E aí a idéia do primeiro parágrafo, de que legal mesmo é ser feliz a toda hora, acaba se transformando numa tan, tan, tan, taaaan... Numa armadilha. 
Seja lá o que você entenda por felicidade, ela precisa de momentos de não felicidade para ser o que é. E como diz a minha mãe: se não fosse o azul, o que seria do amarelo? 
Se sabemos que a alegria é tão gostosa de ser sentida, é porque já experimentamos momentos de tristeza também. Ou simplesmente de tédio. E é por isso que, quando a alegria vem, podemos ficar tão loucos por ela que queremos que ela esteja com a gente a cada instante. Mas, como meu priminho de 2 anos já percebeu, ela é uma coisa que vem e vai. 
Não quero soar pessimista, mas não acredito num vale encantado chamado felicidade, que, depois de alcançado, fica com a gente para sempre. Mesmo que você considere (eu gosto de considerar) felicidade um estado interno, que nem sempre coincide com o que ocorre fora de nós - tipo, podemos nos sentir felizes mesmo se as coisas não estão do jeito que a gente quer -, nosso estado interno varia muito. Aliás, o mundo seria bem repetitivo se olhássemos para ele sempre com o mesmo olhar, não acha? 
Mesmo o melhor dos trabalhos tem dias chatos. Um relacionamento ótimo pode ter dias de dúvida ou marasmo. Podemos nos sentir feias, não precisamos estar a fim de beijar nosso namorado sempre e podemos ter preguiça dos nossos amigos às vezes... E tudo bem!
Quem acreditou na história do primeiro parágrafo, de que a gente não só pode como tem que ser feliz o tempo todo, pode ficar meio decepcionado nessas horas. É por isso que eu acho que, abrir espaço para a tristeza e para os momentos mais ou menos da nossa vida, é libertador. Em vez de achar que tem alguma coisa errada quando não estamos alegres, pode ser maravilhoso aceitar de braços abertos essa não-alegria e aproveitar para pensar um pouco na vida, experimentar as coisas de outro jeito, fazer poesia ou, sei lá, não fazer nada! O que importa é: parar de nos recriminar porque não estamos sendo bem-sucedidas nesse projeto maluco de ser alegre o tempo todo. Até porque esse projeto, pelo visto, pode trazer mais tristeza do que alegria!


Por: Liliane Prata - Desneurando. 

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